27 Novembro 2006

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Cidades ( Publicada em 2/11/2006)
Pais tentam impedir Sesi de cobrar anuidades de alunos

Abaixo-assinado quer que Serviço Social da Indústria recue na decisão de exigir pagamentos de taxas de até R$ 2,5 mil

Adriana Leite
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
aleite@rac.com.br

Os pais de alunos que estudam em unidades escolares do Serviço Social da Indústria (Sesi) em Campinas lançaram um abaixo-assinado e articulam o apoio de sindicatos da região para reivindicar o fim da cobrança de mensalidade no Ensino Fundamental e no recém-criado Ensino Médio. As taxas foram instituídas no mês passado e passam a ser cobradas a partir da matrícula das crianças, que acontece neste mês. No município estudam 1,6 mil crianças em unidades do Sesi.

O objetivo é conseguir uma abertura de diálogo com o Sesi, cuja principal fonte de renda é a indústria, para negociar a cobrança das taxas. Até agora, os pais reclamam que a entidade não sinalizou com nenhum canal de comunicação com os pais. Eles vêem arbitrariedade na forma como foi instituída a cobrança.

De acordo com os organizadores, o abaixo-assinado digital (www.assinaturas.net) pode ser subscrito por pais de alunos e também a sociedade civil. “Nós queremos que a comunidade participe da nossa luta. Ela faz parte do esforço da sociedade em proporcionar para as crianças uma educação de qualidade e de forma gratuita”, disse o técnico em lycra, Anthero José Vieira Filho.

Segundo ele, o movimento quer chamar a atenção para o problema que está sendo enfrentado pelas famílias. Vieira Filho afirmou que há pais que, mesmo com valores baixos de mensalidade, não teriam condições de custear o estudo dos filhos. O valor pago por ano varia de R$ 300,00 a R$ 2,5 mil. O pagamento poderá ser efetuado em até dez parcelas no Ensino Fundamental e em 12 vezes no Médio. “A cobrança pegou os pais de surpresa e ninguém nos deu a garantia de que esse valor não sofrerá reajuste nos próximos anos”, disse ele, que tem dois filhos estudando no Sesi e um deles irá para escola pública.

Outra arma que os pais utilizam é o envio de mensagens eletrônicas para o Conselho Regional do Sesi. “Este é um outro caminho. Quem sabe a direção do Sesi se sensibilize e decida conversar com os pais. Não fomos consultados sobre a forma da cobrança e a real necessidade das mensalidades”, afirmou o operário.

“Tentei argumentar sobre a necessidade de uma negociação das taxas em uma comunicação escrita encaminhada a diretora da escola do meu filho, mas recebi uma mensagem de que eu deveria apenas informar se manteria ou não a criança no colégio com a cobrança da mensalidade”, disse a comerciária Cássia Filetti.

O marido dela trabalha em uma indústria e os dois filhos do casal, Vinicius de 14 anos e Felipe de 11 anos, estudam em unidades do Sesi na região de Campinas. Por ano, ela vai pagar R$ 800,00 para custear o estudo dos dois meninos. “Parece pouco, mas este valor vai pesar no meu orçamento. Além da taxa, eu vou continuar pagando R$ 250,00 por mês de transporte, o material escolar e o uniforme”, calculou. A comerciária afirmou que tudo o que os pais querem é dialogar com a direção da instituição.

O operário Valmir José Meroni tem dois filhos que vão entrar nos próximos dois anos em idade escolar. O mais novo, de 6 anos, seria matriculado neste mês na primeira série do Ensino Fundamental no Sesi. “Já desisti dessa idéia. Não tenho como pagar R$ 300,00 por ano.”

Instituição irá fazer investimentos no ensino

O Sesi informou que as mudanças na rede escolar da entidade vão aprimorar o sistema de ensino e oferecer três novos produtos. Será implantado o Ensino Médio. Os estudantes terão a vantagem de optar, no segundo ano, por um curso profissionalizante no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Eles não irão passar pelo processo seletivo obrigatório.

O Ensino Fundamental terá opção de tempo integral, também com atividades como música, dança e informática. Esse sistema vai funcionar nos Centros de Atividades (CATs). O Ensino Fundamental terá nove anos. Hoje o Sesi atende crianças de 4 a 14 anos. No Estado, o Sesi tem 124 mil alunos em 211 escolas.

Segundo o Sesi, a entidade investirá R$ 160 milhões no próximo ano. Os alunos, cuja renda per capita for igual ou inferior a um salário mínimo, que hoje é de R$ 350,00, serão isentos do pagamento da anuidade.

O Sesi não se pronunciou sobre o abaixo-assinado dos pais até o fechamento desta edição. (AL/AAN)

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