Desaposentação pode aumentar
benefício em 100%
O segurado do regime geral de previdência social que após se
aposentar continua contribuindo pode pedir na Justiça uma nova aposentadoria
que considere as últimas contribuições. Advogados contam que com o pedido de
desaposentação, para os quais o Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado
favoravelmente, clientes têm aumentado em mais de 100% suas aposentadorias.
Segundo o advogado Guilherme de Carvalho,
sócio do escritório G Carvalho Sociedade de Advogados, só tem direito à
desaposentação o aposentado que continua a contribuir para o INSS e o aumento
não é feito pelo instituto. Tudo o que foi contribuído após a concessão da
aposentadoria vai ser recalculado a partir das 80% maiores contribuições, e
desprezadas as 20% menores. "Desde a fundação do INSS, esse é o melhor
benefício que existe em favor do aposentado", opina.
O advogado Humberto Tommasi,
da Tommasi Advogados, toma cuidado para não criar falsa expectativa nas
pessoas, já que apesar de o Superior Tribunal de Justiça ter publicado diversos
precedentes favoráveis, os tribunais do país estão divididos. Ele conta que
todos os pedidos de desaposentação que fez na Justiça Federal no Paraná foram
julgados improcedentes, tanto na primeira instância, quanto no Tribunal
Regional Federal da 4ª Região. "É um longo trabalho jurídico. Já ajuizamos
a ação esperando alcançar o STJ", admite.
Tomazzi deixa claro que cada caso precisa ser analisado
separadamente, mas algumas situações são inquestionáveis. "Quem se
aposentou de maneira proporcional e, depois, trabalhou tempo suficiente para
pedir a aposentadoria integral, terá um aumento garantido", afirma.
De acordo com o advogado, até a Lei 9.876, de 26 de novembro de
1999, o cálculo da aposentadoria era feito com base nas últimas 36
contribuições. A partir de então é feito com toda a vida contributiva do
segurado. Ele observa que a atual forma de cálculo é mais justa do que a
anterior, e menciona que a maioria da população brasileira exerce atividade
braçal, e começa sua vida ganhando bem, por que é jovem e forte, mas acaba
fraco, ganhando pouco e, consequentemente, contribuindo pouco.
Carvalho contou o caso de um cliente que recebia o valor de R$
1.462,33 e entrou com uma ação em 2009. Em 2011 foi concedida a desaposentação
e o valor aumentou para R$ 3.218,90. "A atualização foi dada em tutela
antecipada, ou seja, o aposentado já começa a receber o novo benefício mesmo se
o INSS apelar", explica. Ele diz ter centenas de clientes com aumentos de
mais de 100%.
Segundo o advogado, o fator previdenciário é um aspecto
importante no aumento, na medida em que quanto mais idoso o requerente, maior é
o fator e seu impacto positivo no aumento do valor. Ele também chama atenção
para que no momento da sentença seja observado o teto previdenciário na data da
decisão, que é anualmente alterado, e não o da data do pedido ou da concessão
da aposentadoria anterior.
"A desaposentação também sofre impacto com o fato de
atualmente a moeda nacional ser muito mais forte do que em décadas anteriores.
Isso porque, além do recálculo, é feita a atualização monetária do
beneficio", diz.
Carvalho explica que o pedido não cabe se a pessoa sempre
contribuiu com o mínimo, e que as pessoas que têm chance de maior aumento são
aquelas que contribuem com o valor máximo possível, ou próximo dele. Seu
escritório costuma recomendar a seus clientes que o aposentado esteja
contribuindo há pelo menos um ou dois anos após ter se aposentado.
Gabriela Rocha é
repórter da revista Consultor Jurídico.
TRF-4 permite desaposentação
sem restituição ao INSS
A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região mandou,
nesta semana, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrar a
aposentadoria proporcional de um beneficiário e conceder-lhe aposentadoria por
tempo integral sem que este precise devolver os valores recebidos.
O voto, de relatoria do desembargador federal Rogerio Favreto, é
o primeiro com este entendimento na corte. Até então, a desaposentação, como é
conhecida a desistência de um benefício proporcional para a obtenção de outro
integral quando o beneficiário seguiu trabalhando após se aposentar, era aceita
desde que fosse devolvida a quantia paga até então pelo INSS.
Segundo Favreto, o reconhecimento do direito de desaposentação
pelo tribunal foi um avanço. Entretanto, a dificuldade de devolução dos valores
recebidos pelos segurados tornava o instituto impraticável. “Os obstáculos
entre a concessão formal do direito e o seu exercício na vida real é que me
remeteram a uma nova reflexão”, observou ele em seu voto.
O desembargador ressaltou que muitos segurados precipitaram suas
aposentadorias assustados com as “constantes reformas previdenciárias que
usurparam direitos dos trabalhadores pela redução dos benefícios
previdenciários, aumento de tempo e contribuições”.
“É mais que compreensível e justo entender o atropelo no
exercício do direito, devendo hoje ser oportunizada a possibilidade de revisão
pelas novas condições adquiridas, em especial pela manutenção da atividade
laboral e respectiva contribuição ao sistema previdenciário”, pontuou.
Dessa forma, o autor da ação não precisará devolver o valor dos
benefícios e poderá somar o tempo computado para a concessão da aposentadoria
proporcional com o período das contribuições pagas até o pedido da
desaposentação, passando a ganhar a aposentadoria por tempo integral.
Recentemente, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça
entendeu que o processo de desaposentação é legítimo e não exige a restituição
ao INSS dos valores recebidos durante a vigência da aposentadoria anterior.
Além disso, quando o primeiro benefício estiver cancelado, o segurado pode ter
computado o tempo de contribuição para a nova aposentadoria. O entendimento foi aplicado pelo ministro Sebastião
Reis Junior, da 6ª Turma do STJ, ao rejeitar recurso do INSS. Em segunda
instância, o Tribunal pediu restituição da contribuição ao INSS, o autor entrou
com recurso no STJ e consegui reverter esse aspecto da decisão de 2º grau. Com
informações da Assessoria de Imprensa do TRF-4.

1 comentários:
STF - Desaposentação é tema de repercussão geral
O Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral na questão constitucional suscitada em recurso em que se discute a validade jurídica do instituto da desaposentação, por meio do qual seria permitida a conversão da aposentadoria proporcional em aposentadoria integral, pela renúncia ao primeiro benefício e o recálculo das contribuições recolhidas após a primeira jubilação. A matéria é discutida no Recurso Extraordinário (RE) 661256, de relatoria do ministro Ayres Britto..............
http://www.rvc.adv.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1096:stf-desaposentacao-e-tema-de-repercussao-geral&catid=5:clipping&Itemid=65
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